À CONVERSA COM… Serafim Gândara
Serafim Gândara, um emigrante que voltou à sua terra natal.
Esta entrevista foi feita a Serafim Gândara. Tem 80 anos e é natural de Chão do Vintém, Oliveira de Frades. No momento, é empresário no ramo de restauração.
- Como foi o seu percurso de vida?
- Bem, eu nasci no seio de uma família pobre. Éramos oito irmãos. Entrei para a escola com sete anos e saí aos dez. Só andei na escola até ao 3.º ano. Não pude continuar os meus estuos, pois os meus pais não tinham condições para tal.
Aos onze anos, saí de casa e comecei a trabalhar para outras pessoas, a guardar ovelhas e cabras, para conseguir alimentar-me, só pela côdea. Aos doze anos fui morar com uma irmã, em Águeda. Consegui arranjar emprego numa oficina de ferragens, que ficava mais ou menos a 10 km da casa da minha irmã. Ia a pé e voltava. O ordenado que ganhava era para a minha irmã. Trabalhei lá durante cinco anos.
Aos dezasseis anos, viajei para o Brasil, para trabalhar numa mercearia do meu irmão. Fiquei lá durante um ano. Depois mudei-me para uma padaria, a distribuir pão, em caixas de 40 kg, à cabeça. Ao fim de treze anos, decidi trabalhar por conta própria, também numa padaria. Abri a padaria em Manaus, Amazónia. O negócio correu bem. Passado algum tempo, voltei a Portugal, onde construí um prédio em Oliveira de Frades, montei uma loja de móveis e, anos mais tarde, abri a pastelaria “Amazónia Pão”.
Tirei curso de padeiro enquanto estava no Brasil.
- Porque decidiu abrir o negócio “Amazónia Pão”?
- Porque já vinha do Brasil acostumado a esse género de trabalho, e assim decidido a abrir outra pastelaria cá em Portugal.
- Por que motivo a pastelaria tem como nome “Amazónia Pão”?
- Foi uma homenagem à cidade onde eu trabalhei e tive a minha outra pastelaria, na Amazónia.
- Quais são os seus planos para o futuro?
- Os meus planos para o futuro é ir trabalhando enquanto ainda tiver forças…ter saúde e ter boa qualidade de vida.
Maria Francisca Gândara Pedreira, 9.º A